
A gestão do prefeito José Thomé Neto voltou ao centro de questionamentos após a Prefeitura de Autazes realizar o pagamento praticamente integral de um contrato milionário ligado à área da educação com recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica.
Segundo documento publicado no Diário Oficial dos Municípios, a prefeitura firmou o Contrato nº 006/2026 com a empresa Fada Madrinha Editora LTDA, no valor global de R$ 2.489.473,00, para aquisição de obras literárias destinadas aos alunos da rede pública municipal de ensino. O contrato foi assinado no dia 24 de fevereiro de 2026 e tem vigência prevista de seis meses, sendo custeado com recursos do FUNDEB, incluindo transferências e complementações da União. 
Apesar da vigência semestral prevista no contrato, registros de movimentação financeira indicam que a prefeitura realizou diversos pagamentos para a empresa poucas semanas após a assinatura do acordo.
Pagamentos concentrados em um único dia
Dados de execução financeira apontam que a Prefeitura de Autazes realizou cinco transferências eletrônicas (TED) para a empresa Fada Madrinha Editora LTDA, todas no dia 11 de março de 2026, classificadas como despesas para aquisição de material didático.
Os pagamentos foram realizados nas seguintes parcelas:
• R$ 469.959,00
• R$ 27.370,49
• R$ 773.496,08
• R$ 1.090.482,94
• R$ 60.948,72
Somadas, as transferências chegam a aproximadamente R$ 2,42 milhões, valor muito próximo ao total previsto no contrato.
A rapidez dos pagamentos chama atenção porque ocorreram menos de três semanas após a assinatura do contrato e praticamente quitam o valor global do acordo, enquanto o ano letivo da rede municipal ainda está em fase inicial.
Especialistas em gestão pública costumam alertar que a aplicação de recursos do FUNDEB exige planejamento pedagógico, execução comprovada e rigorosa transparência, principalmente quando se trata de contratos de alto valor voltados ao fornecimento de material educacional.
Estrutura societária da empresa também chama atenção
Outro ponto que levanta questionamentos é a composição societária da empresa contratada.
Dados cadastrais apontam que a empresa tem como sócio-administrador Assis Bentes Figueiredo. No quadro societário também aparece a menor Maria Luiza Lira Porto Bentes Figueiredo, registrada como sócia assistida/representada.
Segundo o cadastro empresarial, a menor é representada legalmente por sua mãe, Danivania Lira Porto Figueiredo, que também figura como administradora da empresa.
A presença de uma sócia menor de idade e a participação familiar na administração da empresa reforçam questionamentos sobre a estrutura societária da companhia que firmou contrato milionário com o município.
Questionamentos sobre a gestão do FUNDEB
O caso levanta dúvidas sobre a gestão dos recursos da educação em Autazes, principalmente porque pagamentos integrais ou antecipados envolvendo verbas do FUNDEB costumam exigir justificativas técnicas, comprovação de entrega e planejamento pedagógico detalhado.
Até o momento, não foram divulgadas informações detalhadas sobre a entrega das obras literárias, cronograma de distribuição nas escolas ou justificativas para o pagamento praticamente integral do contrato em curto prazo.
Diante do volume de recursos envolvidos e da rapidez na liberação dos pagamentos, o caso pode acabar chamando atenção de órgãos de controle e fiscalização responsáveis pelo acompanhamento da aplicação de verbas da educação.
veja os comprovantes dos depósitos:
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