A aprovação do Projeto de Lei Complementar nº 08/2025, de autoria do prefeito David Almeida (Avante), marca um dos capítulos mais vergonhosos da história recente de Manaus.

Conhecida entre os servidores como a “PL da Morte”, a proposta que altera as regras da Previdência Municipal foi aprovada com o aval submisso de grande parte dos vereadores da Câmara Municipal uma demonstração clara de desrespeito, humilhação e desprezo pelos trabalhadores da educação.

Enquanto os professores lutam nas salas de aula, enfrentando jornadas exaustivas e condições precárias, o prefeito e seus aliados políticos preferem empurrar uma reforma cruel, que adia o direito à aposentadoria e aumenta o tempo de contribuição dos servidores. Uma medida que, na prática, condena milhares de profissionais a trabalhar até o limite da exaustão física e mental.

O discurso oficial de “equilíbrio financeiro” soa como deboche diante da realidade: milhões são gastos em publicidade, contratos superfaturados e obras eleitoreiras, enquanto quem forma gerações é deixado à própria sorte. É fácil pedir “sacrifício” quando o sacrifício recai sempre sobre os mesmos os professores, os servidores, o povo trabalhador.

Na assembleia geral que aconteceu (07/11), o sentimento foi de revolta e indignação. Professores e pedagogos, com lágrimas e vozes firmes, aprovaram o indicativo de greve geral. Não apenas por melhores condições de trabalho, mas por respeito e dignidade.

“Hoje nós estamos ouvindo cada professor, cada pedagogo da Semed, que queira expressar sua opinião, porque a pauta de hoje é a decisão sobre a greve. E quem tem que decidir é o professor que está no chão da escola”, declarou Lambert Melo, coordenador jurídico da ASPROM/Sindical.

A fala de Lambert ecoa como um grito de resistência em meio ao silêncio cúmplice da Câmara Municipal, onde vereadores eleitos para defender o povo escolheram servir ao prefeito, traindo a confiança de quem os elegeu.

O que se viu foi uma encenação política: discursos prontos, votos alinhados, promessas vazias e uma total indiferença ao sofrimento da categoria. Nenhum parlamentar que votou a favor da PL da Morte poderá alegar ignorância. Eles sabiam o que estavam fazendo — votaram para enterrar o futuro dos servidores municipais.

A chamada “reforma previdenciária” de David Almeida não é apenas um ajuste de contas. É uma sentença. Uma sentença de cansaço, de desespero e de humilhação.

E é por isso que, mais do que uma greve, o que se inicia agora é uma luta por respeito e justiça social.

Porque quando o Estado se volta contra quem educa, o que morre não é apenas o direito à aposentadoria morre o compromisso público com a dignidade humana e com a educação.