
Iranduba- O avanço de casos de diarreia e registros de malária em comunidades próximas ao lixão a céu aberto de Iranduba colocou o município no centro de uma grave crise ambiental e sanitária. Informações apuradas pela reportagem indicam fortes indícios de contaminação do lençol freático e de igarapés, situação que pode levar a interdição judicial do local e à responsabilização da gestão municipal.
Imagens recentes, obtidas com exclusividade, mostram o descarte irregular de resíduos sólidos sem qualquer controle ambiental. No local, o lixo se acumula a céu aberto, com presença de resíduos orgânicos, materiais hospitalares e animais circulando livremente. Não há sistema de impermeabilização do solo, drenagem de chorume ou monitoramento ambiental requisitos mínimos exigidos por lei.
Doença, água contaminada e risco à população
Moradores relatam aumento expressivo de doenças gastrointestinais, principalmente em crianças e idosos, além de novos casos de malária, enfermidade associada à proliferação de mosquitos em ambientes degradados. A situação se agravou após o período de chuvas, quando líquidos escuros provenientes do lixo passaram a escorrer em direção a áreas de mata e cursos d’água.
Há relatos de que a água de poços artesianos mudou de cor, cheiro e sabor. Algumas famílias abandonaram o consumo da água local por medo de contaminação. “Depois que o lixão cresceu, muita gente começou a passar mal. A água não é mais a mesma”, contou um morador que pediu anonimato.
Especialistas em saúde ambiental explicam que o chorume, líquido altamente tóxico produzido pela decomposição do lixo, pode infiltrar no solo e atingir o lençol freático, contaminando igarapés e poços usados para consumo humano. Esse tipo de exposição está diretamente ligado a surtos de diarreia infecciosa e outras doenças de veiculação hídrica.
Lixão é proibido por lei
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) determinou o fim dos lixões em todo o país, exigindo dos municípios a implantação de aterros sanitários ou soluções ambientalmente adequadas. A manutenção de lixão a céu aberto configura infração ambiental grave e pode gerar sanções administrativas, civis e penais.

Em Iranduba, o problema persiste durante a gestão do prefeito Augusto Ferraz, responsável legal pela política municipal de limpeza urbana e destinação final dos resíduos. Apesar de o tema ser antigo, o agravamento recente do quadro sanitário deu novo peso às denúncias, que agora apontam risco direto à saúde pública.

Justiça pode intervir
Fontes ligadas a órgãos ambientais e ao Ministério Público afirmam que, caso sejam confirmados tecnicamente os indícios de contaminação da água e do solo, a Justiça pode determinar:
• a interdição imediata do lixão,
• a adoção de medidas emergenciais de saúde pública,
• e a responsabilização do gestor municipal por omissão.
A legislação ambiental prevê que o agente público que deixa de agir para evitar dano ambiental pode responder por crime, além de sofrer sanções administrativas e ações por improbidade.
Silêncio da prefeitura
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Iranduba não se manifestou até o fechamento desta matéria. Também não foram apresentados dados oficiais sobre monitoramento ambiental, plano de encerramento do lixão ou alternativas para destinação adequada do lixo.
vídeo:
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Enquanto isso, moradores seguem convivendo com o medo da contaminação e do avanço das doenças. “A gente só quer água limpa e saúde. Não é política, é sobrevivência”, disse uma moradora da área afetada.
Caso segue em apuração
A reportagem apurou que a situação deve motivar ações do Ministério Público, órgãos ambientais e autoridades de saúde, com possibilidade de abertura de investigação formal nos próximos dias.







